ENTRE A CRUZ E A ESPADA, RESTA AO BOLSONARO A VACINA.

Cláudio Melon

Não queria estar na pele do Bolsonaro por razões óbvias, mas no dia 23 de março menos ainda. Não é de graça que o genocida tenha mudado o discurso. A situação está feia para o seu lado.

O STF depois de dois anos de lenga-lenga resolveu declarar a suspeição, óbvia, do ex-juiz Sérgio Moro, com direito, de forma literal e não literal, a um passa moleque de Gilmar Mendes em Kássio Nunes (o testa de ferro do Jair). Com isso, o adversário político do genocida, agora, sem empecilho, poderá se tornar elegível para a próxima eleição. E Lula alimentando o imaginário à esquerda e à direita passa a ser uma mosca na sopa do Bolsonaro.

Além disso, tivemos mais dois eventos críticos no mesmo dia para a excelência do executivo: batemos mais um recorde nacional, chegando pela primeira vez a marca de 3 mil mortes por covid-19 e o protesto de bate-panelas em todo o Brasil durante o seu pronunciamento em cadeia nacional.

Durante os dias anteriores o caldo já tinha esquentado.

Os gerentes do sistema passaram o recado ao governo. Nessa semana, foi tornada pública, de forma voluntária, uma carta dos banqueiros (sob liderança dos donos do Itaú) e economistas liberais que pedem por vacinação já e um sistema, mais ou menos sério, de contenção à pandemia, inclusive sugerindo um plano nacional de imunização.

O centrão, também conhecido como direitão pelos mais críticos, cobra a conta da paz institucional em meio ao genocídio. Como não foi chamado para escolher o ministro da saúde e também não gostou do voto favorável do Kássio Nunes à Moro no STF, vai ameaçar o presidente caso ele dance fora do passo do toma-lá-da-cá.

Os seus militantes, enfeitiçados pela cloroquina e abduzidos pela conspiração de um acordo mundial contra o presidente, não aceitarão sob hipótese nenhuma a possibilidade de um lockdown completo.

A mudança do comportamento do Bolsonaro tem razão. Não foi milagre de nenhum messias. Ele está acuado. Não quer perder a militância, o apoio do poder econômico e o centrão, tripé fundamental da sua sustentação. Para ele então, não resta outra saída se não a vacinação de toda a população para que a situação econômica flua sem grandes transtornos e que seus poderosos aliados econômicos não se tornem os atuais inimigos.

Usar máscara, falar de vacina em rede nacional e criar um comitê de combate ao covid-19 é o caminho mais previsível que o miliciano pode tomar. Não duvido que pelos banqueiros e pela sua família esse sujeito possa até aparecer transvestido de Zé Gotinha no programa do Ratinho.

Por fim, só queria lembrar de uma coisa: toda besta acuada tem duas reações: se entrega e aceita as determinações das forças maiores ou pode estar conjurando para um possível ataque.

 

Bolsonaro - Bate Panela
Arte: Cris Vector

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